Luís Perequê, a cara da Off Flip - Prosa & Verso: O Globo Online

Luís Perequê, a cara da Off Flip

Centro Cultural criado por músico é pólo efervescente da programação paralela.


Eleger o grande astro da Flip é tarefa difícil. Já escolher o homem-símbolo da Off Flip, nem tanto. Celebrado por nove entre dez agitadores culturais da cidade, Luís Perequê (no show de abertura da Flip, foto de André Teixeira/ 02.07.08) é a cara da programação paralela da festa literária, que destaca os talentos locais. Músico nascido e criado na região, Perequê conseguiu a proeza, este ano, de constar nas duas celebrações. Na oficial, abriu o show de Luiz Melodia. No circuito Off, promoveu, em seu Silo Cultural José Kléber, uma programação variada, que se encerra hoje.

O músico e compositor simboliza uma programação já tão tradicional quanto a própria festa dos livros. Nascido na zona rural da região, em Pedras Azuis, Perequê montou o Silo em 2002 para servir de centro de referência da cultural local. Lá, escolas vão em romaria para acompanhar a feitura de farinha a partir da mandioca, comer um tradicional azul marinho (peixe com banana verde) e ouvir o som da rabeca. O lugar é um dos mais efervescentes dos cinco dias de festa, embora esteja à margem das mesas de autores e do star system literário.

— Não adianta trazer o turista que vem admirar o sujeito que faz barquinhos artesanais. Ele tem que comprar o barquinho. É isso que mantém a tradição — defende Perequê.

A defesa do patrimônio cultural local presente no discurso do músico também pode ser encontrada em mil e um desdobramentos nas outras paradas da programação da Off Flip pela cidade. A idéia é não deixar que os turistas que entopem as ruas do centro histórico durante a semana da festa literária fiquem restritos às mesas de debate e olhem um pouco em torno. Como prêmio pela curiosidade, o circuito Off reserva muitas surpresas e exotismos, desde orquestra de berimbaus a avião de Santos Dumont em pleno vôo no aeroporto local e rituais de xamanismo.

Este ano, a programação da Off Flip começou justamente com a decolagem do Demoiselle, réplica do histórico avião de Santos Dumont, que deixou Angra dos Reis na terça em direção ao Aeroporto de Paraty e lá ficou exposto.

— Infelizmente, a cidade ainda estava vazia e não tivemos muito público — conta Marilia van Boekel Cheola, assessora de imprensa do circuito.

A programação alternativa foi estabelecida em 2005 e, desde então, conta com patrocínio da Prefeitura da cidade e mais de uma dezena de parceiros. A lista de atrações deste ano incluíram apresentações de uma orquestra de berimbau, sessões de autógrafos, lançamentos de livros, performance e shows pulverizados por diversos locais da cidade.

Outros ainda estão por vir, como o show de Geraldo Azevedo que acontecerá hoje no Trevo Clube, a partir de 23h. O convidado especial? Ele mesmo: Luís Perequê.

O grande pilar da Off Flip, no entanto, é mesmo o prêmio literário dirigido a escritores brasileiros. Em sua terceira edição, a premiação cresceu com o resto da programação. Em 2006, 200 poetas se inscreveram. No ano seguinte, já eram 400, disputando nas categorias conto e poema. Neste ano, foram 860. A entrega dos prêmios acontece hoje, às 19h, na pousada Villas de Paraty.

— Essa edição do prêmio é a mais importante até hoje, porque lançaremos também nosso selo literário — comemora Ovidio Poli Jr, organizador do concurso.

Na primeira leva de títulos do selo Off Flip, saem “Zangareio”, do poeta caiçara Flávio de Araújo, filho de pescadores; e o infanto-juvenil “Trindade”, de Themilton Tavares. Os lançamentos acontecerão simultaneamente à entrega dos prêmios. Os autores consagrados este ano, que ganharão R$ 5 mil cada, foram escolhidos por uma comissão julgadora de talentos locais. Entre eles... Luís Perequê.

Mas nem todas as atrações do circuito alternativo têm a ver com literatura. Algumas podem realmente ser classificadas como alternativas, como os rituais de xamanismo conduzidos pelo “terapeuta holístico massagista” Tom Marques na sede da Off Flip. Usando uma camiseta com estampa de divindade indiana e um manto preto, ele entoou cânticos e benzeu visitantes em torno de uma fogueira. Foram três dias de tratamentos com nomes como “Conhecendo seu animal de poder”. Programação off é isso aí.

(matéria publicada hoje no caderno especial do Globo na Flip)


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