Letras de músicas


Ave Maria do Mato

Amém, ó mata mãe
Rogai por nós moradores
Sem os guardiões naturais.(BIS)

Urtiga, cipó-mico, arranha-gato
Rogai por nós!
Formiga de embaúba, palma-de-novato
Espinho espora-de-gato

Comigo-ninguém-pode, cicuta, mata-bode, estoura-cavalo (BIS)
Livrai-nos, livrai-nos, livrai-nos (BIS)

Daquelas parasitas esquisitas do concreto
Que pena!
Pseudo-ecologista
Com cara de turista
Um tipo de inseto do sistema, tem

Tem muito urutau no tronco do pau-brasil
Bacurau no pé de pau do bacopariu (BIS)

E no mais
Nada mais
Dos guardiões naturais (BIS)

Amém, ó mata mãe
Rogai por nós moradores
Sem os guardiões naturais.(BIS)

Beira-mar, Beira de rio

Eu nasci no meio do mato
Na beira de um rio
E quando não canto assovio
Porque sou passarinho de beira de rio
De beira de mar, de beira de rio
De beira de mar, de beira de rio

No espaço do braço da viola
Eu traço o meu rumo
Me lanço no mundo
Enfrento os meus desafios
E sou um passarinho de beira de rio
De beira de mar, de beira de rio
De beira de mar, de beira de rio

Conheço o segredo
Da correnteza do rio da vida
Nem penso atravesso
Não meço o esforço da lida
O peito aberto, coração no cio
E sou um passarinho de beira de rio
De beira de mar, de beira de rio
De beira de mar, de beira de rio

Cantilena

Meu amor eu vou sair

Num vento de atravessia
Neste meu barco sem velas
Janela sem casaria
Na cantilena da tarde
Que vem das aves marinhas

Ô canoeiro, ô canoa (BIS)

Meu amor eu vou sair
Num vento de atravessia
Na proa dessa canoa
Sem rumo, remo nem quilha
Lembrança revira o tempo
Saudade, refúgio, ilha
Porto seguro é seus braços
Naufrágio da maravilha

Ô canoeiro, ô canoa (BIS)
Ô canoeiro

Meu amor eu vou sair
Num vento de atravessia
Nos braços da noite escura
Desenho com ardentia
Seu corpo de lua branca
Nos remos da fantasia

Ô canoeiro, ô canoa (BIS)
Ô canoeiro

Meu amor eu vou sair
Num vento de atravessia
Neste meu barco sem velas
Janela sem casaria
Na cantilena da tarde
Que vem das aves marinhas

Ô canoeiro, ô canoa (BIS)
Ô canoeiro

Ê, canoa madeira nobre
Eu sou muito pobre
Eu só tenho um remo
Eu só sei remar
Vim buscar o meu amor
Quero atravessar. (BIS)

Encanto Caiçara

Venho de campos e matas

Terra verde, fértil e farta.
Nossa roça a beira-mar.
Canto a pesca e canto a planta
E a vida Santa do lugar.

Juca acordando cedo,
Visitando cerco
E Manezinho saindo
Pra tirar taquara.

E nos olhos da caiçara
Um riso, uma beleza rara.
E a natureza não pára,
a É tanta estória pra contar...

Lá da casa de farinha
Uma voz sozinha
Vem soprando um canto
e solta pelo vento manso
nossa historia pelo ar.

E quem pensar que meu canto terminou aqui
Não viu que não falei da rama,
A planta da mandioca,
O peixe e a banana, a massa e o tapiti.

E nem na casinha de palha.
Um porco na ceva, um quarto de lua,
Um cio de égua e um peixe na malha.

E nem na viola do Dito,
Na tarde de um dia bonito.
Um azul-marinho é um pirão de conguito.

Uma cachaça boa e a gente cantando,
Poesia brotando pelo chão do peito
E esse canto é feito pra quem quer morar

Nesse encanto do meu canto caiçara.
É camarão no covo, criança na praia
Remendando redes, reunindo malhas
Pra cercar o peixe e fartar a casa.
E mariscar maré rasa...... 

Eu Brasileiro

Eu brasileiro eu! (BIS)
Euroafroíndio, euroafroíndio, euroafroíndio, eu!(BIS)

Eu sou da água do coco
Do toco do pindoba
Da goga que sobra do caxinguelê

Mistura de raça, graça na postura
Jogo de cintura, jeito de viver (BIS)

Eu brasileiro eu! (BIS)
Euroafroíndio, euroafroíndio, euroafroíndio, eu!(BIS)
Brasileiro

De brancos ponteios de viola,
De negros tambores de Angola,
Pele morena, cocar de pena,
Pena de arara, cara de índio,
Minha cara!

Cara de nego maluco
Mucungo é suco de cana,
Mucama é dama africana
Cachaça, cana caiu!

Quem descobriu o Brasil
Não foi eu, nem você nem Cabral
Quem levou o pau-brasil
Não foi eu nem você, ninguém viu!

Eu brasileiro eu! (BIS)
Euroafroíndio, euroafroíndio, euroafroíndio, eu!(BIS)
Brasileiro

Negro é raça
Preto é cor
Quanta graça, quanta dor
Nos olhos de minha mãe
Lembranças de meu avô.

Meu avô que era banto, era preto
Minha avó, uma preta outra branca
Minha alma mestiça hoje canta
Minha canção mestiça nação
Miscigenação!

Meu avô veio nas caravelas
Minha avó num navio negreiro
Num terreiro um sinhô gostou dela
Da senzala sai brasileiro. 

Joaninha

Joaninha colorida
Diga quem são seus pintores
Será que são borboletas
Roubando tinta das flores

Joaninha, Joaninha
Diga onde você mora
Se é na flor da laranjeira
Ou na seda da amora

Gira, gira Joaninha
Na roda do girassol
Beija-flor voa girando
Desenhando caracol

Quem pintou suas asas Joaninha
Ensinou a lagarta a virar borboleta
Ensinou o macaco a fazer careta
Ensinou a aranha a fugir da vespa

Vagalume que acende sem lanterna
Não deu asas pra cobra, não deu pernas
E encheu toda a terra de beleza
Quem pintou a Joaninha
Foi a mão da natureza.

Pintou as asas da borboleta
Foi a mão da natureza.
Ensinou o macaco a fazer careta
Foi a mão da natureza.
Ensinou a aranha a fugir da vespa
Foi a mão da natureza.
Que encheu toda a terra de beleza
Quem pintou a Joaninha
Foi a mão da natureza.

No mato sem cachorro

Eu moro no meio no mato
Meio no meio do asfalto
Meu pé de meia é meia
guardando um pé sem sapato

Meia boca, meio riso,
Sonhando com o paraíso
com o braço penso pro abismo
Tô no meio de um salto

Tô no mato sem cachorro
Tô no meio do morro
Tô no morro sem mato (BIS)

E o sol à pino
Ronca o sino do estômago
Ê, rê, rê
É fome.
A ra ra ra
É fome.(BIS)

E a fome não afina
Atravessa o verso e dispensa a rima
Cala a viola
Quebra a cuia de esmola
Adeus cantador

Ê, rê, rê
É fome.
A ra ra ra
É fome.(BIS)

Vamos embora

Vamos embora
Toque a vida a frente
A vida vem de graça
E a graça é da gente
E cavalo dado
Não se olha os dentes

Siga em paz
Não diga nunca mais
Porque se olhar pra traz
Vai ver, que atrás tem gente (BIS)

Tem gente querendo passar pra frente
Porque simplesmente entendeu que a vida
É uma corrida do tempo e da morte
Disputando a sorte
Em nosso picadeiro
E quem se assusta
Compreende a disputa, disputa
E diz:puta que pariu que luta
Olha pra vida vê um paraíso
Tudo vira riso
Tudo é verdadeiro
E se agarra com a sorte
Grita pro tempo e pra morte
Farinha pouca meu pirão primeiro

Meu companheiro toque a vida a frente
A vida vem de graça
E a graça é da gente
E cavalo dado
Não se olha os dentes

Siga em paz
Não diga nunca mais
Porque se olhar pra traz
Vai ver, que atrás tem gente (BIS)

O Santo

O santo pediu comida
E “ocê” não deu
O santo pediu marafa
E “ocê” não deu
Marafa do santo
“Ocê” bebeu
Marafa do santo
“Ocê” bebeu

Agora que a sua vida tá mal
“Ocê” tem que ir no pé de santo, rezar
pra quebrar quebranto, é reza.
quem quebra quebranto, é reza.

“Ocê” mexeu com a mulher do patrão
isso não é bom
O patrão botou um troço em “ocê”

Agora “ocê” tem que abaixar um ebó
Ir na mata desmanchar o nó
Dá marafa pro santo "bebê" (BIS)

“Ocê” tem que abaixar um ebó
Dá marafa pro santo “bebê” (BIS)

“Ocê” tem que abaixar um ebó
ir na mata desmanchar o nó.

Manacá da Serra

Manacá da serra, ô maninha
Deu dois tipos de flor (BIS)

Uma bem lilás
A outra mais
Pro lado do branco
Quase cor de rosa
Mas quem mais me atrai
É a perfumosa dama da noite

Que no açoite do vento
Vai perfumando o mato (BIS)

O mato escuro onde causa espanto
Ouvir-se o canto da Mãe-da-lua
Onde flutua um zigue-zague fosforescente
Que mais parece estrelas cadentes
Iluminadas pelo perfume
Mas não é nada

É só a cantiga da Mãe-da-lua
E a dança louca dos vaga-lumes

Ah! Não é nada.
É só a cantiga da Mãe-da-lua
E a dança louca dos vaga-lumes

Manacá da serra, ô maninha
Deu dois tipos de flor (BIS)

Uma bem lilás
A outra mais
Pro lado do branco
Quase cor de rosa
Mas quem mais me atrai
É a perfumosa dama da noite

Que no açoite do vento
Vai perfumando o mato (BIS)

O mato escuro onde causa espanto
Ouvir-se o canto da Mãe-da-lua
Onde flutua um zigue-zague fosforescente
Que mais parece estrelas cadentes
Iluminadas pelo perfume
Mas não é nada

É só a cantiga da Mãe-da-lua
E a dança louca dos vaga-lumes

Ah! Não é nada.
É só a cantiga da Mãe-da-lua
E a dança louca dos vaga-lumes

Manacá da serra, ô maninha
Deu dois tipos de flor (BIS)

E a dama da noite
Preferiu a noite
E caiu no açoite do vento
Me ensinou que o canto é o perfume
do pensamento voando lento
E o perfume é a asa da flor.(BIS)

Pé de Muleque

Eu sou muleque de rua
De rua de pedra de pé de muleque
Muleque de rua de rua de
Pedra de pé de muleque (BIS)
Que os pretos pisavam quando
Plantavam este país de negros
Este país de negros, este país!
De braços fortes
De brancos fartos
De índios mortos
Nascemos pardos
E nosso fardo é muito pesado
Esse batalhão de ladrões que
Roubam em nome de Deus
Que roubam em nome dos meus
Que roubam em nome dos seus
Que roubam em nome esse país!
Triste conclusão!

Euro indecente
Afro descendente
Índio indigente
Gente sem nação
Euro indecente
Afro descendente
Índio indigente
Miscigenação (BIS)
No caminho do ouro dos brancos
Morreram tantos negros
E eram tantos: cabindas
Bantos e um outro tanto
Vendidos em pele de ouro preto
Eu sou moleque de rua
De rua de pedra de pé de muleque (BIS)
Eu sou brasileiro e lá no Rio de Janeiro
Eu vi uma nuvem de vagalumes




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Produção Luís Perequê
Silo Cultural
Telefone: +55 24 3371-6510
silocultural@gmail.com

Um comentário :

Anônimo disse...

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